Aprender é descobrir, perceber, significar, agir. Aprender é coordenar tudo que
somos, de maneira saudável, gostosa e cheia de compreensão. É nascer e renascer
continuamente.
A vida não vem pronta, somos todos aprendizes. Todos nós
estamos aqui, aprendendo a ter domínio sobre nosso próprio poder. Aprendendo as
leis que regem a vida, ampliando nossa consciência, aprendendo a viver com a
realidade, abandonando as ilusões, as fantasias e os sonhos.
Muitas vezes, temos sentimentos dúbios em nós. Buscamos o
equilíbrio, entre as forças contraditórias que travam uma luta em nosso
interior. Às vezes, as pessoas dizem: minha alma me diz uma coisa e
minha cabeça diz outra, como será que ela sabe que é a
alma que está dizendo, se ela não presta atenção nem no que sente? A ignorância daquilo que não sabemos pesa. Muitas vezes como
culpa, muitas vezes como pretensão, muitas vezes com a nítida sensação de não
haver saída. Uma sensação de impotência toma conta. Eu tinha de saber e não
sei, mas como vou dizer para mim mesmo e para os outros que eu não sei? A
sensação é de que o custo é alto demais para uma pessoa só.
Assim como não aprendemos a nadar lendo livros e escutando
palestras, mas apenas mergulhando na piscina e seguindo passo a passo as
instruções recebidas, treinando, disciplinando-nos, orientando nossos
movimentos, ajustando nossa respiração, coordenando nossos braços e pernas -
também é assim com a vida: aprendemos a viver, vivendo. Saltamos de um lado a outro, em diferentes matizes de luz e
sombra. Saltamos entre os nossos ideais e a realidade à nossa volta. Saltamos
em múltiplos estados de consciência. Movemos-nos entre o que pensamos e o que
sentimos. Entre a imaginação e o fato em si. Tentamos dar forma ao que ainda
não tem forma, mas o conteúdo do que chega transborda e temos a sensação de que
não somos capazes de dar conta do recado, que as situações estão fora de
controle, que as mudanças estão além de nossa capacidade. Não conseguimos fazer
uma síntese, fazer uma ordenação racional, pois não é algo que se restringe ao
intelecto.
Algo em nós emerge, talvez a alma, e nos fala confundindo
nossas ideias mais racionais. O orgulho, a vaidade, nossos desejos e nosso
perfeccionismo misturam-se a uma vontade de liberdade, a uma crença em algo bom
e positivo, que, muitas vezes, também não sabemos se é espiritualidade ou
vontade de poder.
Nesse momento, o que precisamos é de calma, paciência para
conosco e dar-nos um tempo para a compreensão do processo. Imprescindível
também entender a crise como uma oportunidade de crescimento, que faculta nos
ver e ver a vida de modo diferente. É através do conhecimento de si mesmas que
as pessoas adquirem uma nova compreensão da vida e dão a ela um novo sentido,
pois amplificando a consciência, ampliam seus horizontes. Afinal de contas, somos capazes de mudanças e recomeços.
Somos capazes de criar e solucionar. Somos seres eternos, caminhando
constantemente na direção do bem.
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