terça-feira, 6 de março de 2012

Parábola do Filho Pródigo

"Um homem tinha dois filhos. Disse o mais moço a seu pai: 
- Meu pai, dá-me a parte dos bens que me toca. E ele repartiu os seus haveres entre ambos. Poucos dias depois o filho mais moço ajuntando tudo o que era seu, partiu para um país longínquo e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente.
 Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome e ele começou a passar necessidades. Então foi encostar-se a um dos cidadãos daquele país e este o mandou para seus campos a guardar porcos; ali desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. 
 Caindo, porém, em si, disse: 
Quantos jornaleiros de meu pai tem pão com fartura e eu aqui, morrendo de fome! Levantar-me-ei, irei a meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o Céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado de teu filho; trata-me como um dos teus jornaleiros. E levantando-se foi a seu pai. Estando ele ainda longe, seu pai viu-o e teve compaixão dele, e, correndo, o abraçou e o beijou. 
 Disse-lhe o filho: Pai, pequei contra o Céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: trazei depressa a melhor roupa e vesti-lha, e pondo-lhe o anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também um novilho cevado, matai-o, comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho era morto e reviveu, estava perdido e se achou. E começaram a regozijar-se. 
 Ora, o seu filho mais velho estava no campo; e, quando voltou e foi chegando a casa, ouviu a música e a dança, e chamando os criados perguntou-lhes o que era aquilo. Um deles respondeu: Chegou teu irmão e teu pai mandou matar o novilho cevado porque o recuperou com saúde. Então ele se indignou, e não queria entrar; e, sabendo disso, seu pai procurava conciliá-lo. 
 Mas ele respondeu: 
- Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para eu me regozijar com os meus amigos; mas, quando veio este seu filho que gastou teus bens com meretrizes, tu mandaste matar o novilho mais gordo. 
Respondeu-lhe o pai: - Filho: tu sempre estás comigo, e tudo que é meu é teu; entretanto, cumpria regozijarmo-nos e alegrarmo-nos, porque este teu irmão era morto e reviveu, estava perdido e se achou". (Lucas, XV, 11-32)

Na Parábola do Filho Pródigo, Jesus Cristo deixou transparecer todo o amor de Deus, que não se limita a aguardar a volta do filho fracassado, mas, vai buscá-lo nos caminhos da vida, fazendo-o através dos seus mensageiros de amor e bondade, que tudo fazem para soerguer aqueles que desfalecem, preparando-os para novos aprendizados reedificantes, no decorrer de novas vidas com a aplicação da magnânima lei da reencarnação. Evidentemente a Parábola do Filho Pródigo é a mais consoladora, a mais bela e a mais edificante página dos Evangelhos, encerrando o duplo mérito de revelar toda a grandiosidade do amor de Deus para com Seus filhos, e destruir pela base as tão absurdas teorias das penas eternas e do pecado chamado irremissível.

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